julho · 2026

Leituras: os livros que passam e os que ficam

Uma reflexão sobre os livros que passam por nós e aqueles que permanecem.

21 de julho de 2026

Há livros que lemos depressa, quase sem conseguir pousá-los. Outros obrigam-nos a abrandar, a voltar atrás, a pensar durante mais tempo numa frase, numa personagem ou numa ideia. Alguns proporcionam-nos apenas algumas horas de prazer. Outros continuam connosco muito depois de terminarmos a última página.

É esta diferença que quero começar a explorar nesta secção do blogue.

Desde o início do ano, a minha forma de escolher livros começou a mudar. Continuo a ler géneros muito diferentes, como romances, literatura contemporânea, clássicos, policiais e thrillers, porque cada um deles me oferece uma experiência distinta. Não procuro que todos os livros me deem a mesma coisa, nem acredito que todas as leituras tenham de ser profundas ou transformadoras para serem válidas.

Durante muito tempo, os policiais e os thrillers estiveram entre as minhas escolhas mais frequentes. Continuam a estar. Gosto do ritmo, do suspense, da expectativa e daquela vontade quase irresistível de avançar para descobrir o que aconteceu. São, muitas vezes, livros que leio rapidamente e que me proporcionam um prazer muito imediato.

No entanto, comecei a perceber uma coisa: apesar da intensidade com que os leio, muitos desses livros não permanecem comigo durante muito tempo. Recordo a sensação da leitura, o entusiasmo, a tensão ou a surpresa do desfecho, mas, passados alguns meses, a história e as personagens começam frequentemente a desaparecer da memória.

Isso não significa que tenham sido leituras sem valor. Significa apenas que ocuparam um lugar diferente.

Há livros que servem sobretudo para nos entreter, para nos distrair e para nos oferecer algumas horas de descanso. Há outros que nos acompanham durante mais tempo, porque deixam perguntas por responder, despertam uma inquietação ou fazem-nos olhar de outra forma para aspetos da vida que julgávamos já conhecer.

Desde o início deste ano, influenciada por algumas referências literárias que acompanho, como o Pedro Pacífico, conhecido como Bookster, a Michelly Santos, a Ana Lopes e a Juliana Garrido, comecei a procurar livros diferentes daqueles que escolheria espontaneamente.

Estas recomendações levaram-me a descobrir novos autores, a experimentar outros estilos e a sair com mais frequência da minha zona habitual de leitura. Passei a ler mais literatura contemporânea e comecei também, este ano, uma aproximação mais intencional à literatura clássica.

Ainda estou no início desse percurso.

Ler clássicos tem sido, para mim, uma experiência diferente. São livros que, por vezes, exigem mais tempo, mais atenção e uma maior disponibilidade. Nem sempre têm o ritmo a que estamos habituados nas narrativas contemporâneas. Algumas obras obrigam-nos a adaptar o olhar, a compreender outro contexto e a aceitar uma leitura mais lenta.

Mas tenho retirado muito mais destas leituras.

São livros que me fazem permanecer numa ideia durante mais tempo. Que me levam a pesquisar sobre o autor, a época ou os temas abordados. Que me fazem procurar entrevistas, vídeos, ensaios e outras interpretações. Muitas vezes, um livro conduz-me a outro e uma leitura abre caminho para uma curiosidade que ainda não existia.

Comecei, por isso, a perceber que não estou simplesmente a ler livros diferentes. Estou também a tornar-me uma leitora diferente.

Não pretendo abandonar os policiais ou os thrillers, nem transformar todas as minhas leituras num exercício de estudo. O prazer de ler depressa, de ser surpreendida por uma história ou de querer descobrir o final continua a fazer parte da minha vida de leitora.

Mas quero também continuar a procurar livros que me desafiem, que me façam pensar e que permaneçam comigo.

É precisamente desta convivência entre leituras muito diferentes que nasce esta secção do Livros e Ideias.

Como escolho o que leio

Nem sempre escolho um livro da mesma forma.

Por vezes, encontro-o através de uma. Outras vezes, é um autor que desperta a minha curiosidade, um tema que quero aprofundar ou um clássico que sinto que chegou o momento de conhecer.

As sugestões do Bookster, da Michelly Santos, da Ana Lopes e da Juliana Garrido têm tido influência nas minhas escolhas mais recentes. Não porque siga todas as recomendações, mas porque me ajudam a encontrar livros que talvez não descobrisse sozinha.

Através delas, tenho contactado com diferentes formas de falar sobre literatura. Algumas recomendações despertam a curiosidade por um autor. Outras ajudam-me a perceber melhor o contexto de uma obra. Outras ainda mostram-me que um livro inicialmente intimidante pode ser lido de forma próxima e pessoal.

Estas referências têm sido importantes não apenas pelos livros que indicam, mas também porque me incentivaram a olhar para a leitura com mais atenção.